Mais que um blog. Um ponto de encontro para esclarecimentos, discussões e reflexões entre eternos estudantes do Direito Galera do Direito - Orgulho de ser brasileiro

Calendário de Postagens

 « Ago   Setembro 2010   Out »

DSTQQSS
   1  2  3  4
  5  6  7  8  91011
12131415161718
19202122232425
2627282930 
Home » Blog » Mitologia Grega e o Direito
15
Abr
2008

Mitologia Grega e o Direito

E-mail Imprimir
Tamanho da FonteDiminuir Aumentar
Avaliação do Usuário: / 1
PiorMelhor 

Olá pessoal! Esta pesquisa foi realizada no semestre passado para o trabalho da professora Regina Celeste na disciplina de Introdução ao Direito, a apresentação foi feita juntamente com os colegas(amigos) Carlos Laércio, Guilherme do Amaral, Ketlyn de Paula e Maílson Alves.

Coube a minha parte falar sobre a simbologia das Deusas que representam o direito.

Em breve escreverei mais.

Muito sucesso! ;)

Themis e Diké

Themis é considerada uma titaníade, logo pertence a segunda geração de entidades divinas à partir de Uranos e Gaia. Simbolicamente, os Titãs representam forças elementares da natureza que permanecem alheias às vontades humanas. No mito isto é representado pelo conflito inicial de Zeus (a razão humana) contra seu pai, o titã Cronos (o tempo e maior força da natureza).

O deus maior do Olimpo ao resistir à fome insaciável do tempo que devorou a todos os seus irmãos, representa a força da razão humana que consegue ,finalmente, sobrepor à maioria das forças naturais. Os titãs derrotados foram aprisionados no subterrâneo e outros absorvidos pelo Panteão Olímpico que se formava.

Este foi o caso de Themis, que após a vitória de Zeus, teve lugar privilegiado entre os deuses como "segunda esposa de Zeus" (BRANDÃO.,Mitologia Grega, 2002, pg. 201) e sua conselheira. Vemos com isto, o grade respeito ao ideal de justiça no mundo grego. Themis é considerada a personificação das Leis Naturais que regem os acontecimentos no Universo. Não tomou partido na guerra travada por Zeus e nunca foi alvo de nenhuma das partes.

È evidente que, ao contrário de outras forças naturais, nunca pode ser subjugada pela razão humana. Merece respeito e admiração. Assim, Zeus convida a Justiça a figurar no Olimpo, sendo origem de entidades fundamentais da mitologia Grega.

É representada por uma mulher que "empunha a balança, com que equilibra a razão com o julgamento, e/ou uma cornucópia; mas não é representada segurando uma espada." (WIKIPÉDIA.http://pt.wikipedia.org. 20 de out. de 2007). A balança em equilíbrio busca igualar todos os eventos no Universo rumo a uma harmonia maior.

A cornucópia é símbolo de poder tanto quanto a espada, porém esta última possui caráter mais violento e eminentemente humano. Seus olhos descobertos relevam a onisciência de todos os fatos ocorridos no universo que passam, necessariamente por seu julgamento.

Posteriormente "de Zeus e Themis nasceram somente as Horas e Moiras" (BRANDÃO, Mitologia Grega, 2002, pg. 202). Estas entidades são fundamentais e também incontroláveis na teogonia grega.

As Moiras são: Cloto, Láquesis e Átropos. As Horas são: Eunômia, Dique e Irene. As Moiras representam as três irmãs do destino.

Cloto é a jovem, Láquesis é a adulta e Átropos a velha, sendo todas elas manifestações diferentes do tempo. São forças incontroláveis que mesmo os deuses devem se curvar.

Entre suas funções está tecer e registrar o destino em uma espécie de "tapete ou manta". Trata-se de uma complexa estrutura em que cada fio cruza outro e completam a estrutura maior. Assim, todos os eventos (fios) possuem uma razão para ocorrerem e conseqüências, mesmo que não se entenda completamente o motivo. O Universo não joga dados, por mais que não compreendamos a ordem pertencente a seus eventos. Vale lembrar que as irmãs são expectadoras destes acontecimentos, apenas registrando e servindo a uma ordem superior aos homens e deuses chamada "Destino".

Elas também são responsáveis por cortar o "fio da vida" que determina a morte de cada indivíduo. Ante a complexidade do Destino que registram, realizam a função de ao tempo certo, enviar o indivíduo ao reino de Hades. Representando também a vida, seria o corte preciso de um fio que não serve mais para tecer a manta.
É interessante analisar que as Moiras partem do casamento entre a razão e a justiça natural. Ao passo que as Horas voltam-se para a humanidade, as Moiras conservam a porção incontrolável de sua mãe. Seria uma forma para o homem compreender o destino e o próprio fim da existência. As irmãs em nada interferem no que produzem, todos os eventos que registram ocorrem, pois "deveriam ocorrer".

Assim, os gregos concebem uma visão de ordem universal que não compreendem, mas respeitam.
Tem-se as Horas como grandes auxiliadoras do progresso dos homens. Simbolicamente são fruto do Poder Racional e da Justiça Universal.

Eunômia representa a disciplina, resultado do esforço contínuo do indivíduo para melhorar suas habilidades e adequar-se com mais perfeição as condições adversas. É obtida por meio do poder da razão manifestado na vontade (Zeus) e o trabalho constante que se converte na melhoria da aptidão como uma lei infalível da natureza (ação e reação - Justiça Natural). Era deusa auxiliar de artistas e da maioria dos mortais que chegaram a desenvolver habilidades surpreendentes.

Irene constitui a paz. Infelizmente, é difícil obter informações sobre sua simbologia. Estaria ligada a compreensão (razão) da ordem natural (Justiça Natural), em que o indivíduo passa de antagonista a protagonista. Ao invés de se opor a ordem natural dos eventos a compreende e não mais resiste. Esta seria a verdadeira paz, uma harmonia e conseqüente conforto ante os eventos cotidianos.

Diké ou Dique personifica a Justiça dos Homens. Pode ser considerada a manifestação humana da imagem de sua mãe Themis. A Justiça Universal é responsável pela organização suprema de todas as coisas presentes no Universo, da mesma forma, a Justiça dos Homens seria a maior inspiradora de regras que harmonizasse a sociedade humana e as relações entre seus indivíduos. É a detentora primordial do Direito.

Como fruto do poder racional (Zeus), obtém força ante o individuo; como filha da ordem universal (Themis) é legitimada como necessidade absoluta para construção da sociedade. De acordo com o mito, a Idade de Ouro da Grécia é atribuída a presença de Diké junto aos homens.

É representada por uma dama "em cuja mão direita estava a espada, segurando em sua mão esquerda uma balança, possuindo os olhos bem abertos, dizia-se existir o justo quando os pratos estavam em equilíbrio" (SILVA. Jus Naviganti.. 10 de out. de 2007). A espada simboliza o seu poder absoluto de ação sobre a sociedade. A balança de pratos desequilibrados mostra a análise dos problemas a ela propostos e sua capacidade de decisão. Os olhos vivos e abertos buscam a constante vigilância e onisciência dos fatos ocorridos em sociedade.

Ivstitia

A mais comum representação da Justiça retoma a figura romana de Iustitia. Este panteão de deuses possui, na maioria dos casos, clara influência grega. Muitos deles apenas tiveram os nomes modificados e agregados algumas funções extras. Da mesma forma ocorre com a deusa da justiça, como explica:

Iustitia (Justiça ou Justitia) era a deusa romana que personificava a justiça. Correspondia, na Grécia, a Deusa Dice ou Diké. Difere dela por aparecer de olhos vendados (simbolizando a imparcialidade da justiça e a igualdade dos direitos).

Sua representação seguia.

A deusa deveria estar de pé durante a exposição do Direito (jus), enquanto o fiel (lingueta da balança indicadora de equilíbrio) deveria ficar no meio, completamente na vertical, direito (directum). Os romanos pretendiam, assim, atingir a prudentia, ou seja, o equilíbrio entre o abstrato (o ideal) e o concreto (a prática).

Assim, difere da tradição grega.

As representações grega e romana diferiam ainda na atitude em relação à espada. Enquanto Diké empunhava uma espada, representando a imposição da justiça pela força (iudicare), Iustitia preferia o jus-dicere, atitude em que a balança era empunhada pelas duas mãos, sem a espada; ou com ela em posição de descanso, podendo, quando necessário, ser utilizada. (WIKIPÉDIA. Enciclopédia digital livre e gratuita. Disponível em http://pt.wikipedia.org. Acesso em 20 de out. de 2007 às 20:41)

Este texto é apenas uma diminuta pesquisa e reflexão sobre a raiz mitológica da Justiça. É difícil construir uma unanimidade, pois as informações são demasiadamente esparsas e por vezes, contraditórias. Ainda assim, nestas "histórias" estão veladas diversas informações importantes sobre o povo da época e que pode ser aplicado até na modernidade. Muitas vezes é preciso olhar o passado para de compreender o presente e preparar-se para o futuro.

Referências

(BRANDÃO, Junito de Souza. Mitologia Grega. Vozes. 2002. 17ª edição. Vol.I)

(SILVA, Edson Alexandre da.Uma história, dos primórdios aos nossos dias, da Justiça de Paz em questão. Jus Naviganti. Disponível em: . Acesso em 10 de out. de 2007 às 21:01)

(WIKIPÉDIA. Enciclopédia digital livre e gratuita. Disponível em http://pt.wikipedia.org. Acesso em 20 de out. de 2007 às 20:41)

(DICIONÁRIO DE MITOLOGIA GREGA E ROMANA. Definições curtas de deuses gregos e romanos. Disponível em . Acesso em 20 de out. de 2007 ás 21:08)

Sucesso a todos. ;)

 

Adicionar comentário

Código de segurança
Atualizar

"Direito é uma ciência que estuda da relação humana de forma heterônoma, bilateral e coercitiva visando o bem comum de todos"

© 2007-2010 Galera do Direito Orgulho de ser brasileiro Licença Creative Commons